estresse genetica e cabelos brancos

Estresse, genética e cabelos brancos: qual a relação?

Além da qualidade dos fios, o surgimento dos tons brancos é algo que incomoda muitas pessoas, principalmente as mulheres. 

A cor grisalha é natural do envelhecimento, mas outros aspectos como o estresse e a própria genética podem acelerar o processo de branqueamento dos cabelos. Não é à toa ver tantos jovens com os fios grisalhos atualmente. 

Veja a seguir mais detalhes do assunto para informar melhor os seus pacientes!

Como o estresse e a genética afetam os cabelos?

Segundo a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o estresse é reconhecido como um liberador de mensageiros pró-inflamatórios, o que pode piorar o processo de estresse oxidativo e acelerar o embranquecimento dos fios. Tal ação ocorre em quadros contínuos da condição. Por exemplo: indivíduos que passam por longos períodos de estresse e ansiedade.

Para os mais jovens, a médica informa que, normalmente eles surgem após os 30 anos e em decorrência de fatores genéticos, formação de radicais livres, períodos de maior estresse físico e emocional, mas às vezes estão presentes até mesmo ao nascimento por doenças genéticas. 

“O bulbo apresenta um número limitado de melanócitos, células capazes de produzir a cor (melanina). Quando este estoque termina, aquele bulbo irá produzir apenas fios brancos”, acrescenta a dermatologista.

Dra. Paola Pomerantzeff, dermatologista membro da SBD, complementa mostrando que esse processo, conhecido como canície capilar, ainda é capaz de aparecer antes dos 20 anos. Assim, ao perceber em seu paciente é importante solicitar exames para o diagnóstico. 

“Pode ser apenas uma forma familiar (genética) de canície familiar ou estar relacionada a déficits nutricionais (como de vitamina B12) ou patologias (vitiligo, alopecia areata, alterações da tireóide). A forma familiar precoce não tem nenhuma gravidade ou significado clínico”, explica.

De qualquer forma, Dra. Paola ainda salienta que a canície pode ser pré-determinada geneticamente, tanto seu início (com quantos anos se iniciará) quanto seu tempo de progressão (em quanto tempo o paciente estará com todos os fios de cabelos brancos). Mas, Dra. Claudia reitera que o estresse oxidativo também está envolvido no processo, já que as células produtoras da melanina são danificadas pelo estresse oxidativo acumulado ao longo dos anos, além do empacotamento e migração do pigmento para dentro do fio não ocorrer com eficácia, resultando nos primeiros fios brancos.

“Como o estresse oxidativo acelera a canície, o tabagismo e a exposição à poluição devem ser evitados, já que produzem muitos radicais livres. Outro ponto é o cuidado com os fios. Como o cabelo branco tende a sofrer mais com os efeitos nocivos da radiação UV, além de ser mais ressecado, mais poroso, com mais tendência a ficar amarelado e mais suscetível à ação dos radicais livres, ele exige mais cuidados principalmente com a hidratação e proteção”, reforça Dra. Claudia.

Alteração no gene IRF4

O geneticista Dr. Marcelo Sady, pós-doutor em Genética e diretor geral Multigene, finaliza informando que pessoas com cabelos brancos antes dos 30 anos sofrem uma alteração no gene IRF4, o que faz com que os tons grisalhos apareçam mais cedo. 

“O IRF4 é primariamente associado ao desenvolvimento e resposta imune. Ele é expresso exclusivamente em células do sistema imunológico que têm relação com melanócitos (células produtoras de pigmento), por isso participa do controle da produção e do armazenamento de melanina, pigmento escuro presente na pele e nos cabelos. Mas uma alteração na expressão desse gene pode diminuir a produção de melanina nos fios”, conclui.

Fique sempre de olho em nosso blog para não perder nenhum conteúdo relevante para o seu consultório.

Crédito da imagem: Manuel-F-O – iStock

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