dia mundial nacional da psoriase

Dia Mundial e Nacional da Psoríase e o papel do dermatologista

Em 29 de outubro é celebrado o Dia Mundial e Nacional da Psoríase, uma doença crônica da pele que, segundo a pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), tem uma prevalência de 1,3% entre brasileiros, variando entre 0,9 a 1,1% nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e 1,9% no Sul e Sudeste. 

O que é a psoríase?

De acordo com a Dra. Juliana Toma, dermatologista*, esse problema crônico é causado por um sistema imunológico hiperativo, que superproduz células da pele e resulta em manchas grossas, brancas, vermelhas ou prateadas, que podem descamar ou inflamar, dependendo do seu quadro.

A especialista ainda explica que existem diversos tipos da enfermidade como: vulgar, pustular, artrite psoriática, inversa, do couro cabeludo e gutata. 

“A palavra “vulgaris” significa comum e cerca de 80% das pessoas que sofrem com a disfunção apresentam essa forma. É também conhecida como psoríase em placas, porque os pacientes as manifestam de maneira bem demarcada e inflamada. Elas aparecem em qualquer parte do corpo, incluindo couro cabeludo, cotovelos, joelhos ou, mais comumente, o tronco”, acrescenta.

Os fatores de risco

Os principais fatores de risco apontados pela médica são: estresse, infecções virais ou bacterianas. Além disso, o histórico familiar pode contribuir para piora da doença. Alguns remédios podem também causar a piora dos sintomas, como beta-bloqueadores, antimaláricos, lítio e indometacina.

“Fatores externos como obesidade, ingestão de álcool e tabagismo também contribuem para o agravamento dos sintomas”, aponta.

Como a doença se manifesta?

“Existem dois aspectos de manifestação: inflamação e hiperproliferação de células. A superprodução faz com que elas se sobreponham, causando escamas prateadas. Estes descamam como caspa e podem coçar”, explica a médica.

Porém, há outras complicações que podem aparecer, como:

Artrite psoriática: semelhante à artrite reumatoide, causando inflamação, inchaço, rigidez e dores nas articulações e tendões.

Infecções bacterianas ou fúngicas: o aumento da coceira nas áreas afetadas pode introduzir infecções bacterianas ou fúngicas, tornando-se graves e até mesmo levar à celulite ou feridas abertas e lesões.

Doença cardiovascular: em casos graves, há um risco maior de desenvolvimento de problemas cardiovasculares e pulmonares.

Câncer: o risco de desenvolver cânceres, como linfoma e câncer de pele não melanoma, aumenta. 

Depressão: as pessoas que desenvolvem com essa disfunção muitas vezes apresentam angústia mental por se sentirem constrangidas sobre sua aparência.

Psoríase e dermatite de contato

Tanto a psoríase como a dermatite de contato podem acontecer em qualquer parte do corpo e causar uma coceira intensa. A diferença entre elas é o tipo de erupção que surgem em cada caso. No caso do eczema, a mancha fica vermelha, inflamada e com bolhas cheias de pus, mas não é coberta com pele morta escamosa.

Como funciona o tratamento?

Os tratamentos funcionam com limpeza e redução da inflamação, segundo Dra. Juliana. Eles incluem:

Tratamentos tópicos

Terapias que incluem pomadas e cremes que podem tratar quadros leves a moderados com eficácia quando usados ​​individualmente. Se a condição for mais séria, os cremes podem ser combinados com fototerapia ou medicamentos orais. Algumas ainda são combinadas com o uso de corticosteroides tópicos, análogos da vitamina D, retinoides tópicos, inibidores de calcineurina, hidratantes e ácido salicílico.

Fototerapia

A forma mais fácil envolve a exposição da pele a uma quantidade controlada de luz solar. A outra inclui o uso de UVA/UVB artificial em combinação com medicação ou isoladamente. A exposição aos raios ultravioletas retarda a renovação das células e minimiza a inflamação, bem como a descamação.

Injetáveis ​​ou orais

Se o caso do seu paciente for grave ou resistente a outros tipos de tratamento, podem ser utilizados remédios orais ou injetáveis, como retinoides, metotrexato, ciclosporina e medicações biológicas.

O papel do dermatologista

“Muitos pacientes com psoríase acabam sofrendo com depressão, quadros ansiosos e maior distanciamento social, porque ainda existe muito desconhecimento e preconceito ao redor do assunto”, explica a médica.

É importante orientar e ressaltar que é uma condição não transmissível e genética e conscientizar as pessoas que pode apresentar sintomas secundários, como artrite psoriática, que necessita de avaliação e tratamento especializado. E que, pode não ser curável, mas há tratamentos eficazes, ainda mais depois de detectar os principais gatilhos.

“Como principal profissional que cuida dessa enfermidade, os dermatologistas têm que estar atentos aos gatilhos. A psoríase tem importantes fatores genéticos e crises podem ser desencadeadas por hábitos e estilo de vida. Períodos de remissão podem ser maiores com controle de tabagismo, obesidade, alimentação, estresse e sono”, acrescenta.

Além de tudo que foi citado acima, avaliar a saúde mental do paciente é importante, pois eles têm maior pretensão a desenvolver ansiedade e depressão e precisam ser acompanhados. E, lembrar de reforçar o quanto a prevenção é essencial. Proteção solar, rotina adequada de skincare e evitar queimaduras solares, que podem piorar a lesão são fundamentais.

*Dra Juliana Toma, dermatologista.

Médica formada pela UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, Residência médica em dermatologia pela UNIFESP, Pós-graduação em Oncologia Cutânea – Hospital Sírio Libanês e Fellowship em tricologia – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Crédito da imagem: Natalia SERDYUK

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