Como o botox é utilizado no tratamento da hiperidrose?

Suor excessivo e fora de hora em diversas regiões do corpo, como axilas, palmas das mãos, rosto, cabeça, plantas dos pés e virilha. Quem tem hiperidrose sabe o quanto é desconfortável e embaraçosa essa condição, que faz o paciente transpirar muito, até se estiver em estado de repouso. 

“A sudorese é uma proteção do organismo para manter a temperatura do corpo. É normal suar quando está calor, durante uma atividade física ou em situações específicas, como nervosismo ou medo. Porém, a sudorese excessiva ocorre mesmo sem a presença de qualquer um desses fatores, porque as glândulas sudoríparas do paciente são hiperfuncionantes”, esclarece a Dra. Valéria Campos, médica dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

Cerca de 1% a 5% da população sofre com a hiperidrose. Segundo a dermatologista, acredita-se que a causa esteja relacionada a algum componente genético. Em períodos de calor, aumenta o número de pacientes com essa condição, que também se manifesta durante picos de estresse emocional. “As glândulas sudoríparas, que causam o suor, do tipo écrina, são as responsáveis pela hiperidrose, que parece ocorrer por uma resposta exagerada do cérebro aos estímulos emocionais e afetivos”, declara.

A prevenção da hiperidrose ainda é pouco eficiente, de acordo com a Dra. Valéria. “Como a condição costuma piorar durante o calor ou em caso de esgotamento físico e emocional, o que pode ser feito são técnicas de melhora do estresse e recomendação ao paciente para que evite lugares e roupas quentes”. 

A boa notícia é que há diversas formas de tratamento e, em uma das opções de procedimentos disponíveis aos pacientes, é utilizada a toxina botulínica para diminuir os sintomas da sudorese excessiva.

Dra. Valéria detalha como funciona o tratamento com o botox, que pode ser realizado no consultório médico. “Aplicada na derme por meio de injeções em múltiplos pontos da área afetada, a toxina botulínica ‘gruda’ nas terminações nervosas que inervam as glândulas sudoríparas, impedindo a liberação de substâncias que estimulam a secreção do suor. As glândulas passam a não receber o estímulo para a secreção, o que diminui a sudorese de maneira total ou parcial. É possível observar uma melhora dos sintomas do paciente de dois a dez dias após a aplicação. A diminuição da transpiração é verificada em um período que varia de três a 14 meses”, explica a especialista. 

Aos dermatologistas que ainda não oferecem tratamento com botox aos pacientes com hiperidrose, a médica recomenda que o profissional realize um treinamento específico, com o objetivo de evitar eventuais complicações, como a fraqueza muscular. “Além de respeitar as normas da vigilância sanitária e usar todas as técnicas para minimizar a dor do paciente, como anestésicos tópicos, jato de ar gelado e até uma boa conversa”, sugere. 

Outras formas de tratamento

Apesar de ser indispensável para controlar a temperatura do corpo, especialmente durante a prática de exercícios físicos, o suor excessivo pode causar impactos significativos na vida profissional e emocional das pessoas com hiperidrose – condição que pode se manifestar na infância, adolescência ou na idade adulta.

Em caso de diagnóstico de hiperidrose primária,  alguns tratamentos estão disponíveis aos pacientes:

  • Antitranspirantes: a sudorese excessiva pode ser controlada com fortes antitranspirantes.
  • Medicamentos: drogas anticolinérgicas ajudam a impedir a estimulação das glândulas sudoríparas, mas, embora eficazes para alguns pacientes, são pouco receitadas. Os efeitos colaterais incluem boca seca, tonturas e problemas com a micção. Os betabloqueadores ou benzodiazepínicos podem ajudar a reduzir a transpiração relacionada ao estresse.
  • Iontoforese: procedimento que usa eletricidade para inibir temporariamente a glândula do suor e é mais eficaz para a transpiração das mãos e dos pés. As mãos e os pés são colocados em água e, em seguida, liga-se uma leve corrente elétrica. Essa é gradualmente aumentada, até que o paciente sinta uma sensação de formigamento. A terapia dura entre 10 e 20 minutos e requer várias sessões. Os efeitos colaterais, embora raros, incluem bolhas e rachaduras da pele.
  • Simpatectomia torácica endoscópica (STE): em casos graves, que não respondem aos tratamentos clínicos, pode-se recomendar um procedimento cirúrgico executado por cirurgião torácico ou vascular.  Esse procedimento desliga o sinal que avisa ao corpo para suar excessivamente. Sua melhor indicação é para os casos nos quais as palmas das mãos ou plantas dos pés são acometidas.  A principal complicação é começar a suar em outras áreas do corpo, chamada de hiperidrose compensatória.
  • Curetagem e liposucção: em alguns casos de hiperidrose axilar pode ser feita uma “raspagem” ou mesmo uma liposucção das glândulas sudoríparas e da gordura que está abaixo da pele da axila, aliviando, desta forma, a sudorese.
  • Micro-ondas: dispositivo de micro-ondas que pode lesar glândulas écrinas e apócrinas, tem alcançando resultados possivelmente duradouros. O procedimento deve ser realizado, preferencialmente, sob anestesia tumescente e ainda é bastante caro.
  • Laser: recentemente, vários lasers têm sido usados para tratar a hiperidrose. Aparentemente, o Neodínio: Ítrio Alumínio-Garnet (Nd: YAG), o mesmo utilizado para remoção de pelos em peles escuras, tem tido mais sucesso no tratamento da hiperidrose, a técnica é relativamente simples, com poucos efeitos colaterais. Mas ainda não são conhecidos os resultados a  longo prazo.

Ao detectar que o botox é a forma mais indicada para tratar a hiperidrose do seu paciente, certifique-se de estar em conformidade com todas recomendações feitas pela especialista nesta matéria. 

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